PÁSCOA JUDAICA E PASCOA CRISTÃhttp://blogeleuza.blogspot.com



A festa da Páscoa tem origem numa tradição judaica, muito antes da vinda de Cristo. Era uma festa que recordava momentos significativos do povo hebreu (judeu). Inicialmente começou coma cerimônia das primícias, apresentava-se a Deus o primeiro feixe da colheita (Lv 23, 9-14).
Outro momento significativo é a Páscoa da libertação, que é a passagem do Senhor (Ex. 12, 11), passagem de Deus na figura do anjo exterminador que passou, adiante, ao ver o sangue do cordeiro sobre os umbrais das portas das casas habitadas. Páscoa neste sentido significa a libertação do povo na situação de morte entre o mar vermelho e o exercito inimigo. O terceiro momento era o rito da imolação do cordeiro e a atitude de comer pães ázimos que recordava o grande acontecimento da libertação no Egito e da aliança no Sinai, bem como a entrada na terra prometida.

Símbolos e Esperança

Na Páscoa cristã e judaica, existem símbolos comuns: o cordeiro sem ossos quebrados e seu sangue, marcando o povo para uma nova realidade de mudanças e libertação em meio a toda opressão. Cristo é o cordeiro imolado que salva a humanidade com seu sangue onde nenhum dos seus ossos foi quebrado.
Para que possamos compreender a nossa Páscoa é importante ter pelo menos a noção da Ação de Graça da Ceia pascal dos judeus, de onde a Eucaristia herdou a sua forma.
Todo ano, por ocasião da primavera celebrava-se a Festa da Páscoa. As famílias como descreve o cap. 12 do Êxodo, sob a presidência do pai de família. O rito constava de quatro etapas em torno de quatro cálices:
Cálice da abertura – O pai de família, de pé dava graças sobre o pão e um primeiro cálice. Metade do pão ele guardava sob uma toalha e a outra metade era distribuída por bocados a todos os presentes. Em seguida passava o cálice para todos beberem.

Cálice da ceia – Seguia-se a ceia pascal onde consumiam o cordeiro pascal, as ervas amargas e outras especiarias próprias da ceia pascal. Todos deviam comer moderadamente para que no fim da ceia ainda pudessem comer e beber em Ação de Graças.
As ervas amargas recordavam a opressão da escravidão. Os ázimos, a pressa com o qual os judeus deveriam deixar o Egito.

Cálice da Ação de Graças – No fim da ceia realiza-se o rito da hagadá pascal, em que um menino perguntava pelo sentido da ceia, recebendo então a explicação do pai, dizendo que era o sacrifício em memória da libertação do Egito. Então o pai retirava o pão guardado sob a toalha e, em solene oração, dava graças sobre o cálice, chamado cálice da benção ou da ação de graças. Distribuía o pão e passava o cálice para todos os presentes. Era o momento mais importante da festa.

Cálice da despedida – Em seguida recitavam-se salmos de louvor e, finalmente, era bebido o ultimo cálice, o da despedida.

Como judeu Jesus participava anualmente, da celebração da ceia pascal.
E naquela noite, antes de sua paixão, desejou ardentemente celebra-la como seus amigos dando um novo significado ao rito judaico. Ele sintetizou o sentido profundo de toda sua vida na ação simbólica da ceia pascal. Antecipou, ritualmente, sua entrega total ao Pai pela humanidade com sua morte e ressurreição. Inaugurou, assim, a Nova e Eterna Aliança selada com seu sangue.

“Enquanto ceavam, ele tomou o pão, pronunciou a benção, o partiu e o deu a seus discípulos, dizendo: tomai e comei, isto é meu corpo. E, tomando o cálice, pronunciou a ação de graças, deu-o e, todos dele beberam. E disse-lhes: Este é o meu sangue, o sangue da Aliança, que se derrama por todos... façam isto para celebrar a minha memória.”

A partir daí, a ceia pascal cristã Serpa não apenas Memorial da experiência do êxodo, mas o Memorial da ação libertadora, salvífica que Deus realizou através de Jesus a toda a humanidade: sua encarnação, vida, morte, ressurreição, ascensão e entrega de seu espírito.
Participando da ação ritual da Ceia eucarística, participamos no “hoje” de nossa vida, da morte-ressurreição de Jesus, passamos com Ele da morte para a vida, ate +que Ele venha, na esperança da plena comunhão no reino do Pai.
Este sentido central da ação eucarística, como memorial do mistério pascal, está concentrado e, deve ser professado com entusiasmo por toda a assembleia na aclamação memorial, logo depois da narrativa da instituição: “Eis o mistério da fé! Anunciamos Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição, Vinde, Senhor, Jesus!”
Esta aclamação, juntamente com o que vem a seguir expressa que na Eucaristia se realiza o que Jesus deixou como mandamento da ultima ceia: o memorial de seu mistério pascal.
A Eucaristia é, em primeiro lugar, memorial da morte e ressurreição do Senhor sob o sinal do pão e do vinho, dados em refeição, em ação de graças e suplica. Eucaristia é o principal sacramento da Páscoa cristã. Ela significa, realiza e torna presente e atual o mistério pascal de Jesus. E dele somos convidados a participar ativa, consciente, plena e frutuosamente, sendo com Cristo oferenda espiritual agradável ao Pai e serviço gratuito aos irmãos.
A Liturgia eucarística acompanha, portanto, as ações de Jesus na última ceia, como encontramos nos relatos bíblicos e na maioria das orações eucarísticas, desde os primeiros tempos do cristianismo: Ele tomou o pão... o cálice = preparação da mesa, apresentação dos dons;
Ele pronunciou a benção (sobre o pão e o vinho) = oração eucarística- ação de graças;
Ele deu (o pão e o cálice com vinho) dizendo = comunhão.



Fonte: CNBB , Liturgia em Mutirão, subsídios para formação, pág. 126-128. Ritual da Ceia Judaica.

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